sexta-feira, 29 de outubro de 2010

BALADA DA CARTA PERDIDA

ENCONTRO DE AMOR

SE A NOITE NÃO FOSSE TÃO ESCURA

FESTA DA HIPOCRISIA




Tocam…
Os bombos da festa
Há cabeçudos
Na frente
Viram à esquerda
Viram ao centro
Viram à direita
Fazem sermões
Delirantes
E marionetas
Batem palmas
Como autómatos
Puxados por ademanes
Por vezes provocantes
Sem contra-regra
Beijam-se na hipocrisia
Riem-se em labirintos
De pensamentos
Madraços
A festa há-de ter dia…
Lá vamos todos janotas
Como cicerones
Sem labita
Para uma cruzada
Com rosto
Que nos vai pôr
Indisposto
Porque a canção
Toda vai mudar
Numa sinfonia riscada
Como se fosse a paga
De um sonho
Cor-de-rosa
Que se derreteu
Em degelo
Num até breve
Que não é nada leve
Por isso não vamos tê-lo
Mas antes sim…
…Concebê-lo.


                                                                                  ARIEH  NATSAC






quinta-feira, 28 de outubro de 2010

DEITE UMA FLOR SILVESTRE

TEUS OLHOS SÃO DOIS CASTELOS

DEITEI PEDRINHAS AO RIO

RANA TERRA ONDE EU CRESCI

MOVIMENTO UNIFORME

QUANDO A MORTE NÃO SE ESQUECE EM VIDA


Flores são muitas flores
Que vos ofereço em carne viva
Com pétalas de muitas cores
Que à morte lembram a vida


Nas asas da emoção
Voa o tempo que passa
Retido em meu coração
Tangido pela desgraça


Não vos digo mais um adeus
Porque em mim estão presentes
Vossos suspiros foram meus
E na terra deixastes sementes


A amizade não se acaba
Quando a vida se acabou
Numa hora tão macabra
Em que o pó à terra voltou.




                                                                                               ARIEH  NATSAC


A SILHUETA



Na noite escura
Olhos as estrelas e o céu
Procuro a inspiração para rimar
A lua com a sua face redonda
Sorri
Faz troça
Talvez para me ver chorar
No entanto a luz que me ilumina
É como o sorriso de uma criança
É como o raiar da vida
Onde só há fé e esperança
No seu alto pedestal
Ela se afasta sorrindo
E nas suas faces
Há um brilho de cristal
Que parece estar mentindo
No entanto
Quem me dera ir com ela
Atravessar serras e oceanos
Conhecer novos mundos e gentes
Viver num mundo sem enganos
Passar e ver novos continentes
Mas ela vai-se afastando
E eu aqui fico amarrado
Recordando somente o passado
Procurando ver alguém
Mas na noite escura
À luz pálida do planeta
Não consigo ver ninguém
Se não a tua silhueta.



                                                                        ARIEH  NATSAC

SAUDAÇÃO

É homem
Onde é que vais?
Vou para o campo meu senhor
Vou visitar o arado
O meu ganha-pão
O meu tesoiro abençoado
Para lá daquele pinheiro
Que o sol nascendo vê primeiro
Lá fica no chão enterrado
Quer chova ou faça sol
Está sempre à minha espera
E no local onde o deixo
Pois nunca desespera
Como ele rasga a terra
Sempre na mesma direcção
E nunca me diz que não
Agora só venho à noite
Se este joelho me deixar
Se não deito-me na cabana
E lá faço a minha cama
Até o sol despertar
De noite não tenho frio
Apesar da geada que cai
Embrulho-me no meio da palha
E seja o que Deus me valha
E assim o frio se vai
Já tenho 80 anos
Embora a ninguém pareça
Apesar de grande luta
Por toda esta labuta
Ainda tenho boa cabeça
Olhe!
Aqueles moinhos além
Quase me viram nascer
Pois era ali que a minha mãe
Farinha ia moer
Bem. Agora tenho que ir
Pois o sol já vai alto
Já vejo o rio a brilhar
Agora só venho à noite
Se este joelho me deixar
Venha daí comigo
Sempre se distrai um bocado
E se tiver jeito
Pode-me apartar o gado
Mas como já lhe disse
Agora só venho à noite
Se este joelho me deixar
É com as minhas ovelhas
Com o meu burro
E com o meu arado
Que vou ganhando o pão
Pelo senhor abençoado
Por isso é que eu só venho à noite
Se este joelho me deixar
E amanhã à mesma hora
Já estarei a caminho
Quando o galo cantar
Pelo meio destes pinhais
Ouvindo talvez a sua voz
É homem
Onde é que vais.


                                                                                     ARIEH  NATSAC


TUDO MAIS LONGE

UM DIA NO RIBATEJO



Seguindo eu estrada fora
Quando rompia a aurora
Parei para ver nascer o sol
E o desfilar de tipóias
Que traziam das rambóias
Gente de todo o escol.

Com todo o ar de boémio
Tinham nas margens o prémio
As aguas doces do Tejo
Parecia um quadro de génio
Das minhas horas de tédio
Passadas no Ribatejo

Quando o sol despertou
Um campino aparelhou
O seu cavalo de raça
Julguei estar a sonhar
E perdi o meu olhar
Naquela beleza e graça

Olhei então a lezíria
E vi toda aquela fúria
Dos toiros em manada
Vi o garbo do campino
Pondo em risco o seu destino
Naquela grande parada

Parada de gado bravo
Ele é como soldado
Que enfrenta o inimigo
Com o pampilho na mão
Corre com o seu alazão
Sem nunca temer o perigo

E se há alguma investida
Pondo em risco a sua vida
Como é belo esse momento
Partem os dois à desfilada
Como se aquilo não fosse nada
E nem se houve um lamento

Mas eis que a noite aparece
E a lezíria se empobrece
Como se alguém tivesse morrido
No meio de cavalos e toiros
Que são dos maiores tesoiros
Neste cenário colorido

Quando deixou de brilhar o sol
Que aquece como cachecol
As margens frias do Tejo
Eu lancei um último olhar
E vi que estava a chorar
Um velhote do Ribatejo

Depressa o abordei
E com ele conversei
Para saber qual a razão
Diz-me o homem a chorar
Acabam de me roubar
O sol que me dá o pão

A noite escurece a campina
É como ave de rapina
Que tudo me vem tirar
Não vejo cavalos nem toiros
São eles os meus tesoiros
E que me fazem chorar

Compreendi a sua mágoa
E em cada gota de agua
De uma lágrima atrevida
Eu vejo a sua imagem
Reflectida na coragem
Ao longo da sua vida.


                                                                   ARIEH NATSAC





O TEU OLHAR

terça-feira, 26 de outubro de 2010

ESTREMECES

Tocam-te as minhas mãos
E suspiras
O teu corpo cheira
As flores de rosmaninho
Agitas-te
Em branco linho
Nas alvuras de um desejo
Perdes-te na loucura
De um beijo
E soltas o teu grito
De guerra
Estremeces como junco
Ao vento agreste
Que te assobia ao ouvido
Sem que moleste
Essa paixão
Que te mitiga
E num desejo
Te obriga
Qual vulcão
Expulsando lava
De gineceu acordado
Desvario incontrolado
Que estremece
E não se esquece
Em êxtases
De auras misteriosas
Como misterioso
É o teu corpo
Absorto…
Num hino de prazer
Ávido de tanto querer
Que floresce
Estremece
E fenece
Mas volta sempre a viver.



                                                                                   ARIEH  NATSAC

O VERÃO


Cada dia tem mais história
A noite torna-se sortida
Refresca-me até a memória
Dá-me mais cor e mais vida


Até o luar tem mais brilho
Incendeia-nos mais o rosto
Para o Ary fazer um filho
Fazia-se com muito mais gosto


Saltitam moças nas romarias
Come-se arroz doce e azevias
Nos santos há sardinha assada


Cantam nos campos as cotovias
À noite alegra-se a desfolhada
Bebem-se uns copos…Que desgarrada.



                                                                                              ARIEH  NATSAC



O OCASO...

Do meu alto miradoiro
Em que a vista tudo alcança
Vejo o brilho de longa lança
Amarela como puro oiro


E os azuis em que perco a vista
São belos como manto sagrado
Sentidos de um sabor salgado
E de cor tão bela e mista


Mas quantos sóis já por mim passaram
Quantas imagens já se desfizeram
Quando o rei desce ao entardecer


Quantos olhos vi chorar cantando
Quantas bocas vi sorrir de espanto
Depois de se darem sem nada terem.


                                                                           ARIEH  NATSAC

VIAJANDO PELOS ALPES


Viajando pelos Alpes
Por esses países da neve
A quem o sol nunca deve
Descompor o branco véu


Olhando lá bem do alto
A onde a vista se perde
A gente nem se apercebe
Do constante sobressalto


As paisagens deslumbrantes
Desses países distantes
Quase parecem um sonho


Não foram feitas por magos
Nem são a miragem dos lagos
Nem tela que eu componho.


                                                                                  ARIEH  NATSAC



RECORDAÇÃO

Numa cama de cor verde
Há um retalhe de fim de tarde
Sem enfeites nem alarde
Nem agua para matar a sede


Não há lençóis de alvo linho
Mas um imenso calor
Provido de um terno amor
De um lampejo do teu carinho


As cortinas são só as estrelas
Onde as cores são as mais belas
Do que as usadas por pintor


Despertas tu de um sobressalto
E da cama parte o arauto
Mensagem do nosso amor.





                                                                                        ARIEH  NATSAC


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

SABOR DE AMAR

Teus olhos
São azeitonas
Dos brincos
Fazes cerejas
Os teus lábios
São amoras
Dos quais recebo sabores
Que eu saboreio
Sem me fartar
Tua pele
Tem cor de amêndoa
O teu corpo
É o meu manjar
Minhas mãos acariciam-te
Como se fosses uma maçã
Sem pele
Onde a minha boca
Gulosa e ávida
Se inebria
No teu perfume a morango
Ó pétala de rosa
Em botão escarlate
Ó Hortense anil
Da cor do céu
Esse céu
Onde me perco
E onde me deito
E não me canso
Porque só tu
Sabes amar.



                                                                 ARIEH  NATSAC


HAREM DE LINDA


HARÉM DE LINDA….



Seios convidativos ao prazer
Rainha de um harém só de mulatas
Entregavas-te sempre sem temer
Havendo de permeio zaragatas


Contudo eras a mãe de muitos filhos
Astuta que esperava nos caminhos
Sequiosa de amor e de sarilhos
Em troca de patacas e carinhos


Teus olhos encovados e maldosos
Eram teia de fios ardilosos
Que a todos bem sabias encantar


Teu corpo provocante e sinuoso
Teu jeito sensual e harmonioso
Tornavam-te mulher por inventar.


                                                                         ARIEH  NATSAC
                                                                                


LÁGRIMAS


Quando choras não sei bem
Porque motivo o fazes
Não quero ser esse alguém
Que faz descorar tuas faces


Esses teus olhos castanhos
Mudam de cor quando choras
Dão me pensamentos estranhos
Que às vezes até tu coras


São teus olhos pequenos
Tão belos e tão serenos
Tudo o que existe para mim


Mas sempre que eles sorriem
Parecia que para mim corriam
Eram mais belos assim.



                                                                                    ARIEH  NATSAC





MULHER ENTREGÁSTE TEU CORPO

DESCANSO

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A OLIVEIRA


Lá está no campo sozinha
Escapou à fúria do tempo
Mais parece uma andorinha
Quando fustigada p’lo vento


Foi encosto de pastores
Regozijos de infância
Verdes anos de esplendores
Com vai longe a distância


Hoje velhinha e carcomida
Com seus filhos ao abandono
Já não dá luz mas tem vida


Da paz é folha rendida
Seus ramos tombam em sono
Mas sua sombra é sentida.



                                                                             ARIEH  NATSAC


domingo, 17 de outubro de 2010

CHUVA DE BAGOS


Na Primavera se molda
Põe na farpela botões
Com verdura se tolda
Em constantes mutações


Vai-se vestindo a rigor
Com tons de varias cores
Vai crescendo com fulgor
Ao sol que lhe dá sabores


Engrossa e é uma beleza
Reluz com a luz do sol
São brincos da natureza
De noite ou de arrebole


Depois de paridas – gemidas
Por uma força desumana
Dão mais cor às nossas vidas
Tornando-as mais livres ufanas


Serve-se em quaisquer mesas
Do rei do pobre ou do rico
Solta as línguas mais presas
Ri-se delas o mafarrico


Vai sempre a grandes orgias
Grandes festins ou bacanais
Faz chacota critica dá agonias
Se de algum modo abusais


A natureza é soberana
A mão do criador é sagrada
Põe nela toda a grandeza
Que não deve ser aviltada.


                                                            
                                                                         ARIEH  NATSAC


sábado, 16 de outubro de 2010

O SEM ABRIGO


De barba crescida
Cabelos ao vento
Vejo por mim passar
O homem da gabardina
Sem dar pela chuva
Que o afaga
Quando lhe cai em cima

Todas as ruas são suas
As pessoas já o conhecem
Quando o vêem passar
Falando com o Diabo
Não conhece Deus
Mas ele protege-o
Ao fim e ao cabo

Para ele não há sol nem chuva
Nem sequer dia ou noite
Fala com toda a gente
Conta-nos histórias
Do arco-da-velha
Coitado é louco
Hoje anda com a telha

Assim se comenta
Quando o ajudam
Mas ele não larga a gabardina
Que com ele dança sem ritmo
Quer-lhe como um filho
Parido no ventre do destino
E fruto de tanto sarilho

Deita-se com qualquer vão de escada
Aquece-se em vapores de bagaço
Refresca-se no malte da cerveja
Que alguém lhe paga
Conforme a estação do ano
Que não distingue
Tal como uma larva

Não trabalha mas recebe
Os sorrisos da desgraça
Que esconde na gabardina
O seu cofre-forte
A sua única riqueza
O seu fato de gala
As algemas da sua sorte

Da sua boca desdentada
Saem palavras e palavrões
Que aprendeu no livro da vida
Espinhos de cardos
Que lhe rasgam a pele
E lhe abriram os olhos
E o curvaram como fardos

Da cidade é postal ilustrado
Duma cidade sem cor
Vista a preto e branco
Quando o sol se esconde
E a chuva gela de pranto
Quando esta sombra da cidade
Caminha sem saber por onde

Procura o mundo do nada
Como comissário de bordo
A ilha desconhecida
Para pisar terra firme
Exausto já sem forças
Abraça a primeira calçada
E com ela dorme
O homem da gabardina.


                                                                  ARIEH  NATSAC





ABRO A JANELA DO QUARTO


Abro a janela do quarto
Vejo um tempo ingrato
E a chuva que cai lá fora
Lembro os sem abrigo
Que suportam seu castigo
E até a natureza chora


Sua vida é tão madrasta
A quem não sabem dizer basta
E abraçam-na com maldição
Cobrem-se ao frio e à chuva
Com roupa que não tem muda
E a sua cama é o chão


Sinto uma grande tristeza
E imploro à mãe natureza
Que dê a sua protecção
A estes filhos do vento
Que nem têm para sustento
Sequer um naco de pão


Foi-se a chuva de repente
Eis que um dia transparente
Apareceu no azul dos céus
E estes pobres coitados
Ficaram mais confortados
Com este milagre de Deus.



                                                                                         ARIEH NATSAC


BRAVOS RAPAZES


Bandeiras tremulam, por todo o meu país
Rapazes firmes, vestindo de verde e rubro
Empunhando uma auréola, em atitude feliz
Maceram a relva. . . e eu de orgulho, me cubro




É um orgulho vê-los jogar, sem terem temor
Que os minutos sofridos, parecem terem anos
Regalo para quem os incita com todo o amor,
Prenhe de mentes alvoroçadas, em corpos sanos




Cantam e choram suas glórias ou desditas,
Fruto de um amor à terra, que os viu nascer
Por ela dão tudo, para mais uma página se escrever




E a turba, com todo o seu esplendor. . . grita
Apoiando como vulcão, que sua lava agita
Para os bravos rapazes, não se conseguirem esquecer.



                                                    FORÇA PORTUGAL

                                                                                          ARIEH  NATSAC



quinta-feira, 14 de outubro de 2010

BOCA DO INFERNO


Vejo emergir com o seu manto negro
Plutão louco de raiva mórbida
Contemplado pelo irónico Neptuno
Que em seu coche de espuma
Cavalga em desabrida fúria tórrida



Júpiter Ilumina-o ou enegrece-os
Ajudado em conselhos por Minerva
Que em seu manto camaleónico
Se estende em movimentos isócronos
E Vénus no seu olhar meigo os observa



Mas seu ritmo ninguém conhece
São rugidos lancinantes de fúria
Saindo das entranhas mais profundas
Que são como lágrimas de Neptuno
Aspergindo-nos com o fel de sua injúria.



                                                                        ARIEH  NATSAC






domingo, 10 de outubro de 2010

AOS SOLDADOS DA PAZ

Sirenes de desespero
Homens de passos sem espera
Vozes que se agitam
Sem comando
Partindo em busca da vida
Lá longe onde tudo é negro.
Máscaras de rosto salgado
Num mar verde
Que deixou de o ser
E onde láparos e répteis
Dançam ao mesmo ritmo
Pinhas que se abrem
De espanto
E caem como lágrimas
E tombam na terra ardente
Neste inferno
Sem ser de Dante
Mas onde fogueiras intermináveis
Consomem tudo
Aquilo que encontram
E fazem fome
Muita fome
Chora quem tudo perdeu
Uma vida
Uma esperança
Um futuro
Mas há HOMENS
Que se atrevem
E avançam sem medo
Como se a vida
Não tivesse valor
Heróis do alheio
Vultos sem rosto
Que se dão à luta
Em troca de nada
Mas o nada que é muito
Pois a vida não se paga.

                                          (Saibamos honrá-los).

                                                                                           ARIEH  NATSAC





quinta-feira, 7 de outubro de 2010

QUANDO AS FLORES FALAM....

De Magnólias te vestes
Com Lavanda te perfumas
Em Espinhos de Rosas investes
E em Giestas te aprumas


Teu corpo é uma Hortênsia
Eu dou-te flores de Salgueiro
Ou Lilás Branco da inocência
Trevo Branco quero primeiro


Tulipa Vermelha é o meu amor
Em Narcisos te envaideces
Com Violetas eu vou repor
Em Tulipas Amarelas tu padeces


Rosas Vermelhas eu te atiro
Com nenúfares no meu coração
Com Papoilas eu me retiro
Trazendo Junquilhos na mão.



                                                                                 ARIEH  NATSAC




A NOIVA

Vi-te noiva
Sentida
Gemida
Parida
Comida
Pelos impulsos da vida
Vi-te noiva
Chorona
Mandona
Mocetona
Que também se abandona
Vi-te noiva
Na igreja
Com inveja
Que sobeja
Do que mais deseja
Vi-te noiva
Aberta
Desperta
Coberta
Incerta
Abrindo-se a porta certa
Vi-te noiva
Em delírio
Martírio
De lírio
Num suave murmúrio
Vi-te noiva
Mulher
Querer
Prazer
Morder
Num dia para não se esquecer.


                                                                       ARIEH  NATSAC





quarta-feira, 6 de outubro de 2010

AMOR À MODA ANTIGA

AMOR À MODA ANTIGA


Senhor! - Porque assim me olhais?
Não me façais corar
Sinto seus desejos carnais
Que me fazem transtornar

Por quem me tomais donzela?
De tão fino porte escarlate
Eu não sou castiçal de vela
Nem oiro para tão fino quilate

Mas o senhor tem má fama
E eu sou uma virgem pura
Não me deito em qualquer cama
Para perder minha candura

Sua candura me embriaga
Suas maçãs de Vénus aprecio
Mas não me deite uma praga
E acabe com o meu cio

Por quem me tomais senhor?
Eu não sou uma dessas
Pois não dou o meu amor
A quem jura falsas promessas

Mas eu não sou mísero vilão
E a seus pés eu desvaneço
Pois quero beijar sua mão
Pois acho que o mereço

Não sei o que lhe dizer
Mas nisso eu vou pensar
Virgindade eu vou perder
Com quem comigo… me honrar

Mas isso é o que eu mais quero
Tê-la em meus braços para sempre
O meu amor é tão sincero
E que para sempre ele fermente

Que o seja perante o altar
Erguido o cálice do Senhor
Assim nos iremos casar
E eu dar-lhe-ei o meu amor

Vinde a mim senhora minha
Dai-me um abraço fraterno
Vós sereis a minha rainha…
Pois o meu amor será eterno.




                                                                                 ARIEH  NATSAC


domingo, 3 de outubro de 2010

REGRESSO AO PASSADO

Figuinhos de capa routa
Aqui. Quem quer almoçar
Andavam de boca em boca
Em Lisboa a namorar

E os galegos aguadeiros
Com suas bilhas às costas
Eram turistas aventureiros
Servindo senhoras bem postas

Fava-rica comida do povo
Logo servida pela manhã
Despertando um dia novo
Muito sadio e louçã

Quem à Baixa se deslocava
Para tratar da sua vida
Bacalhau à posta encontrava
Em mercearia. Para ser vendida

Assim se tinha almoço
Quando se chegava a casa
Feito sem grande alvoroço
Cozido ou mesmo na brasa

Onde havia as mercearias
Há bancos e restaurantes
Perderam-se as iguarias
Outros tempos bem distantes

Já não se vêem passar
Os eléctricos destapados
Onde se ia passear
Bem chiques e repimpados

E os negros carvoeiros
Que quase tudo vendiam
Eram eles os fogareiros
Que nossos lares aqueciam

Chineses já cá haviam
Alguns com muita lata
E seus produtos vendiam
Quem quele bonita glabata.

Aos domingos para variar
Uma sessão de amor ou molho
Ia tudo cinematar
Ao bem velhinho Piolho
E assim o tempo morria
De uma forma bem resoluta
E para comemorar um evento
Retratava-se à lá minuta.




                                                                               ARIEH  NATSAC