
domingo, 19 de junho de 2011
quarta-feira, 15 de junho de 2011
domingo, 12 de junho de 2011
AQUELE BARCO
AQUELE BARCO….
Naquele canto da praia bem perdido lá está
Barco partido e já sem o nome de baptismo
As ondas vão e voltam e trazem o ostracismo
De auroras que ao mar se deram e ficaram lá
Valentes homens fizeram dele cama de dormir
Cobrindo-se de lençóis de arrepios e sem dor
Ferindo a alma dos que em terra sentem fervor
Daquela vastidão de cor que se perde sem florir
Casco de verde acastanhado e moribundo
Beijado por aquele mar rebelde que o cumprimenta
Sarcasticamente bailou com ele por todo o mundo
Uma dança de raiva com braços fortes a bracejar
Vendo quem era o mais forte naquela tormenta
Onde foi o baluarte até um dia se finar.
ARIEH NATSAC
sexta-feira, 10 de junho de 2011
SINFONIA INCOMPLETA
SINFONIA INCOMPLETA…
Cruzo as pernas e sento-me no chão
Lá fora a chuva cai de mansinho
Olho um quadro na parede de pendão
Bebo um gole num copo de bom vinho
Medito numa vida estúpida mas passada
Ouvindo uma música que não vês
Enleio-me em acordes que vêm do nada
Mas sinto-o como em concerto de Aranguês
Quisera eu que amanhã fosse outro dia
Neste chão em que me sento. Fosse veludo
Para acariciar-te em melódica sinfonia
Encontrando-te deitada e sentindo-te no escuro
Minhas mãos seriam a batuta dessa melodia
O teu corpo a pauta que eu saberia ler
Num ritmo sufocante mas de alegria
Qu’iria compondo para orquestra com prazer
Olhando-te a deslizar qual invisível partitura
Tocada ao compasso rijo, de exaustão
No ar pairam os acordes de candura
Embalados num cenário voluptuoso de solidão.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
FLOR MURCHA
FLOR MURCHA…
De lampreia tens o corpo
Escrita de prosas tão marcadas
Espingarda de cano torto
Lavadeira em pedras agastadas
Flor murcha que o tempo queimou
Com aguas sujas sem ter tempo
Barrela de prantos em que afogou
A menina dos olhos em seu lamento
A brisa que passou e fez pirraça
Com testemunhos a implorar
Tornou-se na feira de cão de raça
Que rosna sílabas em tom agudo
Meteu-se por dentro sem se ocultar
Dum corpo rachado que não é tudo.
GUITARRA DE MEU PAI
GUITARRA DE MEU PAI
Está posta num canto sossegada
Lembrando horas que se foram
Por aquelas mãos foram abraçadas
Calando trinados que já não choram
Era tanto amor que por ti nutria
Teus acordes eram gemidos plangentes
Tocando-te a alma em melodia
Chorada naquelas horas em tons carentes
Teus embutidos perderam a sua cor
Cordas estão flácidas e desafinadas
Com angustias que serão lembradas
Pelos momentos de algum fulgor
Dedilhados por quem a ti se deu
Guitarra de meu pai com ele morreu.
ARIEH NATSAC
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